YouTube para intelectuais


Recentemente descobri o site BigThink.com, uma espécie de YouTube para intelectuais. A idéia é que especialistas em diversas áreas apresentem certos tópicos e as pessoas possam interagir com a apresentação através de comentários e respostas em vídeo. Por exemplo, atualmente o vídeo na primeira página chama-se The Secret to a Long Life. Entre as páginas, podemos achar ainda ítens como What is human nature? e
Do Americans read enough poetry?. Um site curioso, sem dúvida, mas fico me perguntando por quanto tempo algo assim pode resistir à marcha incansável do gosto popular.


René Maltête


Eis um curioso fotógrafo que descobri recentemente, René Maltête (1930 - 2000), graças ao meu professor de francês. Aparentemente, o site com as fotografias é mantido pelo filho do fotógrafo. São imagens que capturam um ângulo ou momento inusitado, freqüentemente engraçado. Alguns exemplos: A Maioria, Cão Perigoso e Fuga.


Festival É Tudo Verdade


Está ocorrendo nesta semana em São Paulo o tradicional festival É Tudo Verdade, no qual são exibidos diversos documentários em várias salas de cinema. Nas próximas semanas, o festival passará também pelo Rio de Janeiro, Bauru, Brasília, Recife e Caxias no RS. Uma ótima opção para se divertir.


Ah, as mágicas da computação…


Recentemente, fui informado sobre a existência deste artigo, que fala sobre um algoritmo de visão computacional capaz de reconhecer as obras de um artista específico. Tenho um certo conhecimento a respeito de visão computacional e reconhecimento de padrões, por isso sei que tal algoritmo é possível. Ao mesmo tempo, também tenho certa noção a respeito do quão difícil é esse problema, o que me obriga a ter uma dose saudável de ceticismo.

Meus sentimentos quanto a divulgar esse tipo de trabalho científico para o público leigo são complicados. O redator é obrigado a evitar quaisquer termos excessivamente técnicos e se limita a utilizar expressões genéricas como “programa matemático”. Além disso, nada é mencionado a respeito das limitações do algoritmo, que obviamente existem. Afirmações como “depois que o programa aprende sobre os relógios de Dali, ele consegue reconhecer outras pinturas dele mesmo que os relógios não estejam nelas” soam simplesmente… mágicas.

Me pergunto se esse tipo de divulgação não pode inflamar alguns especialistas em arte mais exaltados, que correrão para defender seus talentos e afirmar que eles não podem ser emulados por uma máquina…


Fotografias coloridas da primeira guerra


Para quem gosta de fotografias antigas, estas fotos coloridas da primeira guerra mundial são um tesouro. Aparentemente, apesar de não ser comum, a tecnologia de fotografia a cores já estava disponível na época. Há qualquer coisa de fantasmagórica nessas imagens: os tons são todos pastéis, amplificando a sensação de deslocamento que o observador contemporâneo já sente naturalmente perante cenas de tempos distantes. Fiquei observando-as, tentando decifrar o enigma que colocam, mas em vão. Tente você, é um bom exercício para a imaginação.


Como me tornei estúpido


Bertrand Russell, em seu How to Become a Man of Genius, escreveu:

Carlyle comentou: “A população da Inglaterra é de vinte milhões, tolos na maior parte.'’ Todos que leram isso consideraram-se uma das exceções e, portanto, apreciaram o comentário.

Seja por um fenômeno semelhante, seja por mérito próprio, a peça Como me Tornei Estúpido é um sucesso. Em cartaz no Viga Espaço Cênico, ela conta a história de Antoine, um brilhante jovem de 25 anos que, após longa reflexão, decide tornar-se estúpido para alcançar a felicidade. Da sinopse:

Como me tornei estúpido traça o curioso perfil do anti-herói contemporâneo Antoine, um rapaz de vinte e cinco anos, que vê na sua aguçada inteligência a causa de todos seus problemas. Para Antoine, a inteligência e a consciência crítica são empecilhos para alcançar a felicidade na sociedade atual. Após as tentativas frustradas de se tornar alcoólatra, entrar num curso de suicídio, e até de fazer uma cirurgia para retirar uma parte do cérebro, ele se convence a renunciar ao pensamento e se propõe a percorrer uma saga rumo à estupidez.

O texto é baseado num livro de mesmo nome por Martin Page. Assisti e devo dizer que é bem engraçada até certo momento, a partir do qual a trama deixa a desejar. É uma boa diversão e os atores são excelentes, mas não espere encontrar respostas profundas para a vida.


Em cartaz de 28/09 a 18/11.
Local: Viga Espaço Cênico.
Horário: sextas e sábados às 21h, domingos às 19h.
Ingresso: R$ 20,00 (meia entrada para estudantes, idosos e classe teatral).


Clube de vinhos


Quem pensa que spam não serve para nada deveria ver o que recebi nesta semana: uma propaganda de um clube de vinhos, chamado Sociedade de Mesa. Bem, para ser justo, não é um spam qualquer, há quem chame isso de “marketing direcionado”, já que foi um dos meus jornais que me enviou. De todo modo, a idéia do clube me parece interessante. Eles prometem enviar mensalmente aos associados vinhos escolhidos cuidadosamente, acompanhados de explicações a respeito, além de organizar eventos sociais. A idéia é ajudar os associados a conhecerem os diversos tipos de vinhos que existem. Aparentemente, não é algo muito caro também: no máximo, R$ 35,00 por garrafa e não há taxas fixas mensais. Para quem não tem tempo de aprender sozinho a respeito, talvez valha a pena investigar o clube.


Decadência urbana


Eis mais um interessante site com fotografias de ruínas urbanas, o http://www.urbanized.us/. Há diversas séries de imagens no site, cada uma tratando de um lugar em particular. Gostei especialmente da série do reformatório. Há um certo convite à vida nessas cenas de morte e desolação, como que se alertassem para a brevidade das coisas. Como que se dissessem “ei, a vida é isso aí, aproveite enquanto a tem, porque depois, já viu…” Deve ser por isso que me fascinam.


Guia de festivais de cinema e vídeo


Esta é uma referência muito importante para todos os apreciadores de cinema brasileiros. A associação cultural Kinoforum mantém um guia brasileiro de festivais de cinema e vídeo. Esse site contém informações que podem ser consultadas por data e local.

De certa forma, esse post é uma compensação para os leitores deste blog que não moram em São Paulo e que não poderão ir aos últimos eventos que recomendei.


Festival Internacional de Linguagem Eletrônica


Até o dia 12 de setembro, o Sesi Paulista estará sediando o Festival Internacional de Linguagem Eletrônica, uma grande mostra de arte digital que descaca-se principalmente pelos trabalhos com os quais os visitantes podem interagir.

Confesso que tenho um pouco de receio em relação ao uso da palavra arte para se referir a esses trabalhos, como muitos estão fazendo. Certamente são trabalhos interessantes e a estética não foi deixada de lado, mas fotos e relatos que chegam a mim causam-me uma inevitável sensação de frieza.

Estou certo em pensar que mensagens e sentimentos simplesmente não são a prioridade dessas obras? Ou será que estão lá mas expressas de maneira completamente diferente da arte tradicional? Ou talvez de fato isso não seja necessário?